quarta-feira, 4 de abril de 2007

O ROSTO DA MÃE ESTÁ SOMBRIO COMO UM PÂNTANO.


Sentada à mesa, ancas esparramadas, mastigando. O relógio de pé está encostado na parede, um gigante que bate horas sem descanso, as horas de arrependimento, as horas de oração, as horas de ócio, as horas da manhã, o passar das horas.

E a noite.

A mãe não olhou para ele, para o gigante. Ela passou os olhos por ele, dirigiu-os à janela e cuspiu com desprezo. Lá fora a semente brotava, florescia e murchava.

No corredor escuro, mexia-se uma sombra magra, seu marido.

– Devo fazer o café? – perguntou ele de modo rabugento.

A mãe não ouviu nada. Ela roncou. E enquanto roncava, deu à luz três filhos. O menino está morto, as duas meninas vivem.

O homem segura as meninas e as leva para o quarto onde já se encontram muitas crianças. O menino ele coloca lá fora, entre as sementes. A mãe despertou e está mastigando de novo. O homem vai até a sala e se embriaga. As vacas mastigam como a mãe.

O homem abate uma vaca. A mãe a come, assim como ele e as crianças. A semente abre-se. Todos comem pão e tomam com colher o leite da mãe e das vacas.

O homem se deita em cima do fogão e dorme. A mãe torna a parir duas crianças. As vacas mastigam. O pai abate a mãe. Ele e as crianças a devoram, o cão também recebe um pedaço. O homem percebe seu erro, vai até o estábulo e embriaga-se.

Enquanto ele dorme, a filha mais velha escala a mesa. Uma sombra mexe-se no corredor, um homem estranho. O relógio de pé bate as horas de ócio e outras horas.

A filha pare duas crianças. Quando o pai retorna e vê tudo isso, ele chora um pouco. Mais tarde, ele se deita ao sol e assim fica.

O estranho enterra-o sob as semeies que se abrem. A filha mastiga. O estranho vai até o estábulo e se embriaga.


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